O teísmo é uma doutrina comum ao monoteísmo (catolicismo, judaísmo e islamismo), que se opõe ao deísmo e ao ateísmo, apegada à idéia de fideísmo, o que significa afirmar a existência de um único deus de caráter pessoal e transcendente, soberano do universo e em intercâmbio com suas criaturas. Genericamente significa a crença em um único deus (daí o “d” maiúsculo), mas crença fora da razão (irracional?), centrada na fé, numa teologia natural, isto é, que este Deus teria realidade, mas que não poderia ter nenhuma determinação pelo conhecimento ou razão. É um aspecto fundamental do espiritualismo (ou personalismo) ou pessoalismo de um único deus – deus como uma pessoa, porém mais elevado que o homem. Haveria, ainda, uma relação de interioridade deste deus com suas criaturas, no sentido de que ele conheceria e se relacionaria com o criado por ele. O teísmo acredita na revelação e não na razão, num “Deus vivo” (Kant, Crítica do juízo, § 72). Atualmente o teísmo é o núcleo do espiritualismo tanto na reação dos espiritualistas contra o idealismo romantismo, cuja essência é panteísta (aquele que crê na necessidade da relação entre deus e o mundo, embora alguns panteístas não aceitem essa relação). Também o teísmo contemporâneo se formou a partir de uma recusa do hegelianismo clássico e o positivismo, bem como ao neo-idealismo romântico dos primeiros anos do século passado (Inglaterra, Itália e EUA). Deste último, o espiritualismo contemporâneo reteve muito de sua agenda de valores. Como o teísmo é a crença num deus pessoal, causa do mundo, ele acredita ter a chave para determinar por analogia a natureza de deus, isto é, dando-lhe qualidades super-antropomórficas – se o homem ama, deus ama de modo absoluto o mesmo amor dos homens, e assim por diante. Em resumo, é a crença em um deus pessoal, único, e causa primeira e transcendente do mundo.
O deísmo é a doutrina religiosa que aceita a existência de um deus como Ser supremo com atributos indeterminados e que se opõem ao Deus pessoal, historicamente revelado, dos teístas. No século XVIII eram enciclopedistas muitas vezes acusados de ateísmo (ateus disfarçados de teístas). O deísta usa a razão para falar de uma teologia transcendente, mas cuja natureza será sempre desconhecida. Sua compreensão de um deus nada tem de revelado e é um ato da razão – considera a razão como a única via capaz de assegurar da existência de deus, rejeitando para tal fim o ensinamento ou a prática de qualquer religião organizada ou o princípio de autoridade em matéria religiosa – que algum papa ou ser especial possa representar este deus. Para o deísta esta razão, particularmente apoiada na idéia de desígnio, sozinha – sem apelar para revelação, dogma, relação sobrenatural com a divindade, súplicas e orações – dá conta de conceber e dar corpo a divindade. Significa, entre muitos sentidos, que um deus-causa-primeira teria criado o universo, as leis inalteráveis que o governam, mas distinguindo-se e transcendendo totalmente de sua criação (não é pessoal). A razão deve interpretar as Escrituras, pois nela não há mistérios – o racional confirma a fé, onde a ordem e a determinação do mundo são estabelecidas no princípio de sua criação e a mais alta finalidade do homem é cumprir as leis naturais criadas por este deus. O deísmo é sempre uma concepção filosófica (não revelada) de um deus, centrando-se apenas na existência de um deus, a imortalidade da alma e a regra do dever. Em geral este não crê em um deus que possa intervir nos assuntos humanos, por isso os teístas os consideram, muitas vezes, ateístas. Fazendo parte do Iluminismo francês, italiano e alemão, o deísmo não aceita nada de irracional (racional aqui, o de Locke), e reduzem o conceito de deus às características que lhe podem ser atribuídas pela razão, o que fez com que os teístas acusassem o deísmo de ser um ateísmo. Veja que Diderot asseverou que um deísta é alguém que ainda não viveu o tempo suficiente para se tornar ateu.
Ateísmo é a atitude que consiste em negar a existência de uma divindade, seja qual for a forma, incluindo a forma de deus (com “d” maiúsculo), panteísmo ou entidade sobrenatural. Embora não seja sistematizado, nem tenha um discurso fundador como manda o figurino das doutrinas, podemos dizer que é a filosofia dos que não sentem a necessidade de uma via da causalidade divina (uma personalidade que cuida de dar sentido ao mundo ou de uma razão de além-mundo para a existência humana). Também não aceitam explicações regressivas ahistóricas para a vida humana ou uma finalidade da humanidade. Já Pascal, ele mesmo um espiritualista, cobra dos ateus que eles devem “dizer coisas perfeitamente claras” (em seu Pensamento). Pois é disso que se ocupam os ateístas – dizer de modo não obscuro a gênese de sua vida. Vivendo na certeza de que não há divindade, o ateísta não espera qualquer atuação do sobrenatural sobre sua vida, mas não no sentido deísta – onde um deus não tem qualquer eficácia sobre as ações humanas, mas definitivamente existe. O sobrenatural, para o ateísta, inexiste. Marx: “O ateísmo é uma negação de Deus e por esta negação ele coloca a existência do homem.” (Manuscritos de 1844, p. 99, Editions Sociales). Platão, em seu livro X das Leis, considerou que é ateísmo: a negação da divindade (materialismo) onde a natureza precede a alma (a opinião, o intelecto, a arte e a lei), entendendo-a como a única forma de materialismo filosófico, sendo que o ceticismo, o pessimismo e o panteísmo seriam as filosofias materialistas mais sistematizadas; crença que a divindade existe, mas que não cuida da vida humana ou do mundo, pouco difundida; crença que a divindade pode ser seduzida por oferendas e doações ou sacrifícios, considerando-a a pior forma de ateísmo, pois colocam seu deus no mesmo nível dos cães, que amansados com presentes, permitem que os ladrões levem as ovelhas do campo. É uma crença bastante difundida entre cristãos católicos e seitas que tem como base as entidades sobrenaturais. São as oferendas de palavras, incensos, imagens, presentes de fé, promessas etc.
Na terça que vem continuo...
O deísmo é a doutrina religiosa que aceita a existência de um deus como Ser supremo com atributos indeterminados e que se opõem ao Deus pessoal, historicamente revelado, dos teístas. No século XVIII eram enciclopedistas muitas vezes acusados de ateísmo (ateus disfarçados de teístas). O deísta usa a razão para falar de uma teologia transcendente, mas cuja natureza será sempre desconhecida. Sua compreensão de um deus nada tem de revelado e é um ato da razão – considera a razão como a única via capaz de assegurar da existência de deus, rejeitando para tal fim o ensinamento ou a prática de qualquer religião organizada ou o princípio de autoridade em matéria religiosa – que algum papa ou ser especial possa representar este deus. Para o deísta esta razão, particularmente apoiada na idéia de desígnio, sozinha – sem apelar para revelação, dogma, relação sobrenatural com a divindade, súplicas e orações – dá conta de conceber e dar corpo a divindade. Significa, entre muitos sentidos, que um deus-causa-primeira teria criado o universo, as leis inalteráveis que o governam, mas distinguindo-se e transcendendo totalmente de sua criação (não é pessoal). A razão deve interpretar as Escrituras, pois nela não há mistérios – o racional confirma a fé, onde a ordem e a determinação do mundo são estabelecidas no princípio de sua criação e a mais alta finalidade do homem é cumprir as leis naturais criadas por este deus. O deísmo é sempre uma concepção filosófica (não revelada) de um deus, centrando-se apenas na existência de um deus, a imortalidade da alma e a regra do dever. Em geral este não crê em um deus que possa intervir nos assuntos humanos, por isso os teístas os consideram, muitas vezes, ateístas. Fazendo parte do Iluminismo francês, italiano e alemão, o deísmo não aceita nada de irracional (racional aqui, o de Locke), e reduzem o conceito de deus às características que lhe podem ser atribuídas pela razão, o que fez com que os teístas acusassem o deísmo de ser um ateísmo. Veja que Diderot asseverou que um deísta é alguém que ainda não viveu o tempo suficiente para se tornar ateu.
Ateísmo é a atitude que consiste em negar a existência de uma divindade, seja qual for a forma, incluindo a forma de deus (com “d” maiúsculo), panteísmo ou entidade sobrenatural. Embora não seja sistematizado, nem tenha um discurso fundador como manda o figurino das doutrinas, podemos dizer que é a filosofia dos que não sentem a necessidade de uma via da causalidade divina (uma personalidade que cuida de dar sentido ao mundo ou de uma razão de além-mundo para a existência humana). Também não aceitam explicações regressivas ahistóricas para a vida humana ou uma finalidade da humanidade. Já Pascal, ele mesmo um espiritualista, cobra dos ateus que eles devem “dizer coisas perfeitamente claras” (em seu Pensamento). Pois é disso que se ocupam os ateístas – dizer de modo não obscuro a gênese de sua vida. Vivendo na certeza de que não há divindade, o ateísta não espera qualquer atuação do sobrenatural sobre sua vida, mas não no sentido deísta – onde um deus não tem qualquer eficácia sobre as ações humanas, mas definitivamente existe. O sobrenatural, para o ateísta, inexiste. Marx: “O ateísmo é uma negação de Deus e por esta negação ele coloca a existência do homem.” (Manuscritos de 1844, p. 99, Editions Sociales). Platão, em seu livro X das Leis, considerou que é ateísmo: a negação da divindade (materialismo) onde a natureza precede a alma (a opinião, o intelecto, a arte e a lei), entendendo-a como a única forma de materialismo filosófico, sendo que o ceticismo, o pessimismo e o panteísmo seriam as filosofias materialistas mais sistematizadas; crença que a divindade existe, mas que não cuida da vida humana ou do mundo, pouco difundida; crença que a divindade pode ser seduzida por oferendas e doações ou sacrifícios, considerando-a a pior forma de ateísmo, pois colocam seu deus no mesmo nível dos cães, que amansados com presentes, permitem que os ladrões levem as ovelhas do campo. É uma crença bastante difundida entre cristãos católicos e seitas que tem como base as entidades sobrenaturais. São as oferendas de palavras, incensos, imagens, presentes de fé, promessas etc.
Na terça que vem continuo...
gostei do que acabo de ler:)
ResponderExcluirmuito obrigada por esta explicação clara e isenta